29 junho, 2009

A bola





Paro, olho e vejo num fundo bege cabeças e corpos com seus balanços. Balanços mistos, balanços confusos que só seus donos entendem... Entendem o que vêem, não entendem a parte obscura tão clara. E eu não entendo a claridade e a obscuridade das cabeças, só conheço e entendo minha.
Cores, vozes, toques, cheiros, bocas... e assim identificamos outras cabeças e outros corpos, mas será que elas nos identificam? Ou somos a bola da vez não identificada?
Susto! “Eu não quero ser mais um!”... Mais um, mais um, mais um! Sugam! Sugam nossa energia, sugam nossa paciência, sugam-nos e depois nos chutam, é... Somos a bola da vez!
Alguém já teve uma bola e não quisesse chutá-la? Alguém já foi uma bola e não queria ser chutada? Alguém disse a resposta a alguém? Se as respostas fossem equivalentes e ninguém soubesse, a bola poderia não voltar, a bola seria a da vez!