
É difícil encontrar o silêncio. É difícil estar em total silêncio. Sempre há um som, mesmo que seja tolo ou inútil.
O silêncio mais apreciado por mim é aquele que não tem som de pessoas, é aquele que não tem som de músicas, é aquele que possui sons que dificilmente é escutado. Esse silêncio dá vontade de tocar, abraçar, cheirar...
Reparo em coisas que sem ele não repararia. Tenho idéias que sem a ajuda dele não teria. Penso, penso e dá vontade de abraçar um monte de gente vagarosamente.
Sempre pensei que o silêncio só podia ser silencioso, depois descobri o silêncio com sons. O silêncio silencioso sempre foi irritante, ficava com medo de surtar.
Achava que só podia encontrar o silêncio escondendo-me no banheiro ou guarda-roupa, descobri que isso era coisa de criança.
Pensei que só podia encontrar a concentração no silêncio e aí vi que dava para não ouvir mesmo tendo um monte de gente falando.
Percebi que o maior barulho é o silêncio dos meus pensamentos.
Alguém me disse (quem foi?) que duas pessoas se sentem bem um ao lado da outra quando ficam alguns minutos sem reclamar do silêncio.
É tão bom (experimentem!) abraçar e bejar alguém (qualquer pessoa) e sentir o coração bater, barulho da respiração, os olhos piscarem (isso mesmo!), ou, até mesmo a barriga roncar de fome.
Sentir o silêncio é algo extraordinário; chamo também de romântico, que requer um pouco de sensibilidade.
Já sentiu um silêncio hoje?
Eu fico aqui com o silêncio dos meus olhos curiosos e com o sorriso silencioso e misterioso.
