24 outubro, 2012

O amor pós-facebook

Estou cheia de dedos para escrever sobre esse assunto, ora temo que o tema acabe atingindo de forma negativa alguns dos meus leitores, ora temo que não atinja. Sim, assim bipolar!

Começar um texto explicando o título é deveras inapropriado, mas ainda assim farei. BANALIZARAM o amor (Nossa! Jura? Sério?), e aproveito pra banalizar também.

 O amor insculpido no título é utilizado de forma banal, de forma ampla, considerem que amor é qualquer coisa que envolve afeto entre duas pessoas ( nesse caso, excluam os laços puramente de amizade).

Considero o facebook um marco na história do amor, será que conseguem compreender?

Antes de adentrar na Universidade Federal da Bahia, diziam (e continuam dizendo para outros pobres pré-calouros) : ''fácil é passar, difícil é conseguir sair de lá'', adaptando digo: "fácil é namorar, difícil é manter o namoro pós-facebook". Tem dúvidas?

O Facebook criou  inocentes ferramentas que podem estragar relacionamentos: curtir, comentar, compartilhar e até mesmo o bate-papo. Se você não souber usá-las, haverá o dia que terá que escolher: amor ou facebook.

Sempre tem alguém que conhece alguém que já leu as conversas do namorado no batepapo quando ele inocentemente foi pegar água  na cozinha e deixou o facebook aberto. Sempre tem alguém que publica uma foto e aquela amiga (o) que conhece desde a maternidade curte e faz um comentário do tipo "Ô, lá em casa", fazendo despertar desconfiança e questionamentos ("Será que eles já ficaram  e ela gosta dele?").

Ele tornou as pessoas mais loucas, mais espiãs, até porque ele aproxima as pessoas e assim faz com que haja mais ''opções'' para seu coração; mas não se engane, o mesmo facebook que aproxima, também separa.
Você namora há três anos, eis que de repente aquela pessoa linda que você cutucou, curtiu e comentou na "Ufba, assim você me mata" te vê, lembra que você fez tudo isso e resolve te dar mole. E AGORA? Não estou dizendo que é pra aceitar o ''mole'', tô dizendo que as ''opções'' surgem quando menos se espera.

Para combater essas ''inocentes ferramentas'' alguns resolvem dar um tempo do facebook, excluir e bloquear pessoas, de repente se torna um anti-social. Eu fui vítima desses combates: DO NADA, fui bloqueada (até hoje espero explicações); alguns ''amigos'' que viviam conversando comigo, curtindo e comentando tudo que publicava SUMIRAM, até parece que nunca existiram. Tudo bem, tudo em prol do amor.

Também tem aqueles que te curtem, esquecem que ''não podem'' curtir e no mesmo segundo desfazem a curtida. Como lidar?

Há aqueles que sempre serão os fotógrafos da farra com os amigos, porque, apesar de falar pro seu amor: "Bê, vou sair com os brother's, só pra bater um papo..." , ele não quer aparecer na foto (que obviamente será postada no facebook) com uma cara mega feliz após tomar algumas cervejas, com receio dela dar chiliques.

É, meus amigos, esse amor pós-facebook vem ganhando cada dia mais adeptos e de verdade: sou fã dos poucos casais normais existentes por aí.

E quem disse que basta ser apenas feliz? Quem disse que beijar, ter momentos de lazer, fazer sexo, basta? Ledo engano!
Tem que publicar MILHÕES de coisas falando o quanto ama, o quão é feliz; tem que tirar fotos beijando, abraçando, de todos os momentos,  como se narrasse o dia do casal em câmera lenta, só que com fotos: foto no espelho do banheiro antes de sair da casa de um deles, no carro (ônibus, avião ou bicicleta), sentados no farol da barra, beijando, abraçando, beijando, abraçando, molhando os pés no mar, de sunga e de biquíni, dentro do mar, saindo do mar, deitados na areia, sentados no sofá assistindo filme, e para os discretos para por aí (outros, excêntricos, gravam vídeos, se é que me entendem...).  Vejam aí, aqui prevalece: não basta ser ou fazer, tem que provar.

E quem ama curte, né galera, então eles curtem TUDO que o outro publica. E quem ama comenta, então eles deixam todos amigos envergonhados da publicação que sempre acabará: ''mozi, ti lindo, sonha comigo! #teamoforever" ou "amanhã conversamos sobre isso. ¬¬".

Nada contra o amor, mas não é esse amor que prego...

Viva o amor, até que o facebook os separe (ou você se separe do facebook).


16 outubro, 2012

De amor sem amor

Falta utilidade para o celular. À noite sobra tempo. Falta sorrisos bobos, mentiras necessárias. Pra quem ele vai se perfumar?
Não é sobre mim, não é sobre você, é sobre  amor sem amor.
Quanto espaço sobra aqui, quanta coisa falta aqui. Falta graça nas piadas sem graças, e dentes certinhos e bonitos (Tá, não precisa ser tão certinhos assim!).
O amor viajou, se perdeu, nunca existiu? Sobra amor sem amor, é sobre amor sem amor.

Faltou te contar que na noite passada soube que meus vizinhos, aqueles tão simpáticos, torcem pro Vitória. Faltou de contar tantas besteiras, aquelas que você sempre ouviu fingindo ser um super herói e que por isso suportava ouvi-las mesmo depois de ter enfrentado a 3ª guerra mundial.

Não é sobre mim, não é sobre você, é sobre amor sem amor.
Não é sobre mim, não é sobre você, é sobre amor sem amor.

Sobrou tantas músicas que serviriam pra você, elas te aguardam, mas ainda sobram por aqui.
Faltou as notas de rodapé com seu nome e um coração torto, mas sobrou espaço.
Faltou, faltou você que nem conheço, mas não é sobre mim, não é sobre você, é sobre amor sem amor.

08 outubro, 2012

Filosofia de Boteco

Tinha a faca e o queijo na mão e aí cortei a mão.
A vida às vezes é assim: com a faca, sem o queijo, sem a faca, com o queijo. Sem a mão? NÃO!!
Faz sentido ter a faca e o queijo sem ter a mão? Parece que não.


''A faca e o queijo
E o desejo tinha mãos
E as mãos, traquejo
No bom manejo da emoção
No jeito de tomar
No ato de cortar
No simples fato de juntar
A faca e o queijo'' (Gilberto Gil)