18 maio, 2009

Pertencer e não pertencer



Quem ainda não ouviu essas frases atire um 'não': "sim, eu te amo"; "Quer casar comigo?"; "A nossa amizade não acabará"; "Essa é a minha galera"; "Aqui me sinto bem"; "beijo, me liga pra gente marcar pra sair”. Não ouvi um 'não' sendo atirado. Ah... o desejo de pertencer!
O desejo de ser alguém de alguém ou alguém de algo é normal, tão normal quanto sentir calor em dias quentes. Todo momento é a mesma ladainha, temos que ser amigos, namorados, filhos, pais de alguém, ou melhor, temos que ter laços com pessoas que combinam com nós; da mesma forma precisamos ser alguém da escola, alguém da balada, alguém do chat, alguém de um grupo qualquer, enfim ser alguém de algo a qual nos aceite.
Sempre me vem à cabeça a pergunta "Por que não ser e tudo e não ser de todos?" e junto com ela a resposta "Vamos em busca do que temos necessidade e do que nos aceita". Completando essa resposta eu diria que não podemos ser de todos e tudo ao mesmo tempo, mas podemos ser em momentos diferentes...
O desejo de pertencer vem para todos, mas não necessariamente precisamos pertencer a uma única coisa, eu crítico e acho a mesmice uma porcaria. Não dá pra ser a mesma coisa e ser coisa de alguém sempre, viver assim é pros atores. Quem vive sua vida clara e real não vive no mesmo! Somente os que não têm medo do novo, e não tem medo de se arriscar é que chegará ao auge da felicidade... É que não dá pra saber se o novo é melhor que o velho se não o conhecer.
Acredito veemente que somos seres mutáveis e assino abaixo da famosa frase de Heráclito (‘’tudo flui, nada persiste, nem continua o mesmo”) e acrescento que podemos ser várias coisas, logo podemos ser de várias coisas. Podemos experimentar sabores, cores, pessoas, músicas, palavras, vozes e seguir uma viagem louca, capítulos diferentes em um mesmo livro.

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