29 setembro, 2011

Mergulho sobre as palavras

Uma das coisas que mais me anima em fazer parte da espécie humana é ter uma linguagem articulada e a capacidade de desenvolver cultura, tais características nos levam a outras muito importantes.
Ter a capacidade de não tornar nossa sociedade estática, sempre ‘’evoluir’’, fazer progresso, poder discordar/concordar e argumentar, sem sombra de dúvidas me faz feliz nesse mundo tão agitado.
“Palavras”, oito letras, uma palavra e sem nenhum significado se for ouvida fora de contexto, ou por pessoas que desconhecem a palavra ‘’palavra’’. Palavras sempre foram e sempre serão motivos de brigas e uniões, sempre servirão pra ferir ou proteger alguém, por isso,  acho que se deve ter cuidado especial ao dizê-las, elas simplesmente podem manifestar atitudes /opiniões que não são desejadas.
Acho incrível o dom que algumas pessoas tem de não usar as palavras nos momentos certos e utilizarem exatamente nos momentos ‘nada a ver’. Utilizo minhas próprias palavras, exteriorizadas em uma postagem antiga:

Não queremos críticas tolas e infundadas em momentos de diversão.
Queremos que o outro entenda que existem horas preciosas, e palavras que devem ser pensadas sem executá-las.


Irrita bastante o discordar só por discordar. Tenho comentado bastante isso com algumas pessoas, já que volta e meia presencio pessoas criticando outras sem uma mínima coerência na fundamentação. Criticam muitas vezes porque as pessoas argumentaram bem seu ponto de vista, foram felizes em seus comentários, e foram devidamente elogiadas e muitas vezes "é foda a unanimidade, vamos criticar, vamos ser do contra".  Pois bem, críticas tolas e infundadas servem de meio para menosprezar os outros, sempre utilizarei das minhas palavras para criticar tais pessoas. É preciso não usá-las atoa.
Os diálogos, as discussões, os debates são importantes, ao menos pra mim. Aprendo e ensino coisas que antes nem poderia imaginar, por isso não me esquivo deles. Acredito que eles me perseguem (é o que eu dizia pra minha mãe quando me chamava de briguenta).
Tá, eu gosto de defender meu ponto de vista, e quero que os outros façam isso (desde que de forma "legal’’, sem ofensas ao que eu penso.), porque assim discordarei de mim mesma ou irei treinar mais um pouco minha argumentação.
Debater ideias não se trata de ganhar um troféu ao convencer que o outro está errado, é fazer com que haja reflexão sobre as consequências de cada ideia defendida, abrir a cabeça para novas possibilidades de entendimento. Muitas pessoas acreditam que numa discussão há uma disputa entre egos, pra mim discutir é evitar que se propague ideias absurdas, é evitar que o achismo seja mantido com verdade verdadeira.
Várias ideias e teorias foram propagadas e ditas verdadeiras porque não houve imediatamente pessoas que combatessem. Claro, as palavras percorrem dimensões imagináveis; é difícil imediatamente dar um basta, no entanto, deve-se fazer o possível para evitar que cause dano a alguém ou a sociedade. Sim, as palavras tem poder!
Pensei no criminoso nato de Lombroso, teoria essa que foi bastante aceita no Brasil, cujas dimensões se encontram até hoje: coerção segregacional; bandido tem cara: negro, pobre, tatuado, mal vestido; essa teoria, mesmo depois de ter sido refutada, na prática continua funcionando. Sim, as palavras mesmo depois de corrigidas continuam tendo eficácia.
Uma pessoa acusada em público de furtar um álbum de figurinhas do Dragon Ball Z, mesmo depois de provar que odeia álbuns, que nunca assistiu ao desenho, que jamais roubou doces da geladeira de sua própria casa, e depois tendo aparecido o verdadeiro culpado, nunca deixará de ser conhecido como "aquele que roubou o álbum de figurinhas’’ .
E se você escrever "fassa" e não "faça", tal erro poderá causar estrago em sua vida. Ahhh, cuidado com as palavras!
Ao mesmo tempo em que temos ótimas e importantes características utilizamos sem analisar os riscos. Fico pensando: e se o mundo se revoltasse com essas pessoas e resolvesse extingui-las? Quais palavras elas diriam? E você, o que diria pra elas?

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