09 dezembro, 2012

Vida Padaung

Sempre gostei de história, de povos diferentes, principalmente  exóticos. Lembro que achava bizarro as mulheres da comunidade indígena Kayans (aquelas mulheres com anéis no pescoço), pensava que elas nasciam com pescoços grandes e colocavam anéis para enfeitá-los, depois acabei descobrindo que desde pequenas  iam colocando os anéis como simbolo de beleza (quanto mais anéis, mais bela era a mulher);  eles eram colocados gradualmente e faziam o pescoço alongar. A consequência de ser bela era ter a musculatura do pescoço enfraquecida, ou seja, dependeriam dos anéis para o pescoço ficar ''em pé''. 

A vida é meio assim como as mulheres padaung...

Quando descobri que algumas pessoas escondiam algumas coisas com receio de me ferir (na verdade eu tenho dúvidas: foi pensando em mim ou pensando em nelas mesmas?), passei alguns dias criando a teoria do medo: quanto mais dói, menos dói. Sim, quando  acostumamos enfrentar o medo, menos temos medo. Não, eu não sou uma pessoa corajosa, mas digamos que tenho menos medo que a semana passada, dói menos sentir medo e com isso sinto menos medo ( como as mulheres girafas: no começo dói colocar os anéis, depois acostuma.).
Passava uns dois dias chorando por não ter feito uma boa prova no vestibular, escondia a prova em um lugar não muito visível, passava meus dias "deprês" e depois folheava a prova. Na verdade, de início pegava a prova, não abria e chorava, e depois minha dor ia passando até chegar o estágio de folhear a prova. Em outro momento, evitava entrar nas redes sociais pra não ver declarações daquela pessoa que  gostava pra outra pessoa que ele gostava; e aí depois enfrentei, não só entrava nas redes sociais como também olhava as fotos dele com ela e sentia ciúmes, até que um dia passou. A conclusão é a mesma...

A vida é padaung porque criamos alicerces, embora eles não sejam de metais como os anéis.  Às vezes, ou quase sempre, quando tentamos ser outras pessoas, transformando nossas qualidade em defeitos ou excluindo qualquer um dos dois, enfraquecemos como os pescoços das mulheres girafas e aí ficamos  no dilema: reconstruímos o alicerce ou ficamos com o pescoço quebrado na esperança de um dia um novo alicerce, forte como aquele, seja construído?


"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)


 

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