Tudo começou com seu pedido de desculpas. Te desculpei, mas disse que "Desculpas" não tem efeito retroativo.
Hoje foi uma senhora, ela arrancou o couro do meu pé com um carrinho de supermercado e disse: "Desculpas, fia, desculpas!". Cheia de dor e simpática, dei um sorriso amarelo. Não disse pra ela o que disse pra você, mas pensei...
Todos os dias é um empurra-empurra no ônibus: um soco (sem querer) no seu estômago, uma cotovelada (sem querer) na cabeça, um tal de enfiar (sem querer) o dedo no olho, e vários pedidos (sinceros ou não) de desculpas. Assim como o erro de proibição no direito penal, acham que a culpabilidade está completamente excluída com o "desculpa".
O seu pedido de nada valeu e eu nem me senti rancorosa, senti que eu estava amadurecendo e entendendo o significado das palavras.
Pois bem, os inúmeros pedidos de desculpas (mais uma vez: sinceros ou não) só servem para tirar a dor na consciência do sujeito ativo, mas o sujeito passivo continua com o bem/os bens jurídicos tutelados ofendidos . "Desculpas'' quase sempre não reparam o dano, por isso, na próxima vez pedirei pra trocarem as "desculpas" por indenização (dano moral ou patrimonial).
A verdade é que ninguém quer ser o "café-com-leite" quando criança, mas quando crescem pedem desculpas, em qualquer oportunidade, como se tivessem dizendo: "Opa, não tá valendo, sou café-com-leite".
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