Numa promiscuidade, meus pensamentos vão correndo léguas e lembrando da capetinha anjo que fui. Eu não era uma criança danada, era curiosa, tudo queria saber.
Em umas das minhas aventuras (não foi uma guerra, nem escalar o Everest) suei muito, mas matei a curiosidade.
Havia três quadrinhos de corações com orações, eram fofos e por isso chamava minha atenção. Dois deles eu podia orar, o outro não, o desenho explicava bastante que aquilo não era para minha idade. Todos os dias que ia orar ficava mais curiosa para saber o conteúdo daquela oração, mas tinha medo de cometer um pecado.
Passaram semanas e resolvi ler. Li rápido, às vezes desviando o olhar e pondo-se a olhar para a porta. Tensão, todos os ruídos eram motivos para ficar aflita; foram os três minutos mais densos daquele dia.
O conteúdo da oração? O mais tolo possível; pedia proteção para o namorado e outras coisas bestas, eu nem sonhava em ter um. Depois disso me senti idiota por ter demorado tanto para ver uma coisa tão tola, e aí decidi que não iria demorar tanto para matar minhas curiosidades.
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