04 junho, 2010

Variações sobre um mesmo tema II

Sempre fui esperta (tenho medo disso), mas também sempre fui muito boba. Esperta no sentido de sempre achar tudo que minha mãe escondia; esperta porque sempre descobria os segredos da minha irmã, sabia exatamente o que iria ganhar de presente de aniversário (deve ser por isso que, hoje, minha mãe prefere não guardar segredos). Boba? Sim, muito. Como se chama uma pessoa que olha cachorros e fica com os olhos brilhando? Eu sei que há uma analogia entre o bobo e o esperto, talvez seja o fato deles serem uma mesma pessoa.
Sim! Vivia lendo as coisas que minha irmã escrevia no diário, isso era ridículo, é certo que eu não sabia o significado do termo 'invasão de privacidade'. Eu só queria entender porque ela o escondia debaixo do colchão, e acabei virando uma leitora assídua.
Minha mãe gostava de comprar revistas e tinha algumas partes que crianças não podiam ver. Eu, no lugar de minha mãe arrancaria as páginas e daria fim. Sabe o que ela fazia? Colava ou grampeava uma na outra, ela achava que isso evitaria que nós olhássemos. Eu ficava mais curiosa, sempre tentava ver o que era, na maioria das vezes era algo relacionado com sexo, fechava e nem lia; era assustador ver a palavra "sexo".
Ninguém sabia que eu sabia de várias coisas, e isso era a maior aventura: Ter conhecimento de algo (mesmo sendo tolo) e não poder contar. Queria ter contado essas coisas, se contasse iria me trair e sempre fui fiel a mim mesma.

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